Gênero e sexualidade · Cartilha Hedum Pular para o conteúdo
Hedum Psicologia e Psicopedagogia

Cartilha Hedum

Gênero e sexualidade

Uma conversa sem pressa sobre quem somos, como amamos e como cuidar uns dos outros.

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Índice

Por onde começar

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  2. Referências

02

Boas-vindas

Falar sobre gênero e sexualidade nem sempre é fácil.

Existem muitas dúvidas, informações equivocadas e assuntos que, por medo ou vergonha, acabam não sendo conversados.

Foi pensando nisso que a Hedum Psicologia e Psicopedagogia criou esta cartilha: para oferecer informações claras, combater preconceitos e mostrar que todas as pessoas merecem respeito, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.

Aqui, vamos conversar sobre diferentes formas de ser, sentir e se relacionar. Também vamos falar sobre saúde mental, direitos, preconceito e a importância do acolhimento.

Você não precisa saber tudo sobre esses assuntos. O importante é estar aberto a aprender, escutar e respeitar as experiências de outras pessoas.

Por que falar sobre diversidade?

Porque conhecer o que é diferente da nossa realidade ajuda a diminuir preconceitos. Muitas vezes, o medo ou a rejeição surgem justamente da falta de informação.

Respeitar alguém não significa precisar viver ou sentir as mesmas coisas que essa pessoa. Significa reconhecer que ela tem o mesmo direito de existir, ser respeitada e viver com dignidade.

Esta cartilha é um convite para aprender, refletir e construir relações mais respeitosas.

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03

Sexo, gênero e sexualidade não são a mesma coisa

Muitas vezes, essas palavras são usadas como se fossem sinônimos. Mas elas falam de partes diferentes de quem somos. Entender essa diferença ajuda a gente a se compreender melhor e a respeitar as outras pessoas.

Uma forma simples de pensar nisso é: sexo tem a ver com o corpo, gênero tem a ver com como a pessoa se reconhece e se apresenta, e orientação sexual tem a ver com por quem ela sente atração (JESUS, 2012).

O “biscoito do gênero”

Para facilitar, usamos uma ilustração chamada “biscoito do gênero” . (KILLERMANN, 2017).

O biscoito mostra quatro dimensões diferentes, que não dependem umas das outras:

Toque numa parte do biscoito ou escolha abaixo.

Por que isso importa?

Porque uma coisa não determina a outra. Saber o corpo de alguém não nos diz como essa pessoa se sente; saber como ela se veste não nos diz por quem ela se apaixona. Uma pessoa trans, por exemplo, pode ser heterossexual, gay, lésbica, bissexual... como qualquer outra pessoa (JESUS, 2012).

Cada pessoa é uma combinação única dessas dimensões — e todas essas combinações fazem parte da diversidade humana.

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Identidade de gênero

Como vimos no biscoito do gênero, identidade de gênero é como a pessoa se reconhece por dentro. Ela não depende do corpo, das roupas ou de por quem a pessoa sente atração, e só a própria pessoa pode dizer qual é a sua (JESUS, 2012).

Quando um bebê nasce, ele costuma ser registrado como “menino” ou “menina” a partir do corpo. Para muitas pessoas, isso combina com quem elas sentem que são. Para outras, não. Vamos conhecer algumas dessas formas de existir:

Como respeitar no dia a dia?

  • Chame a pessoa pelo nome que ela usa.
  • Use os pronomes que ela pede (ela, ele, elu).
  • Se não souber, pergunte com respeito: “Como você prefere ser chamade?”
  • Se errar, peça desculpas e corrija. Não precisa fazer disso um grande momento.
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Orientação sexual

Orientação sexual é a capacidade de sentir atração afetiva, emocional e/ou sexual por outras pessoas. Essa atração pode ser por pessoas de outro gênero, do mesmo gênero, de mais de um gênero, ou a pessoa pode não sentir atração sexual (REIS, 2018).

Lembra do biscoito? A orientação fica no coração. Ela não depende da identidade de gênero nem do corpo de ninguém (JESUS, 2012).

Algumas orientações:

  • Heterossexualsente atração por pessoas de outro gênero (REIS, 2018).
  • Lésbicamulher (cis ou trans) que sente atração por mulheres (REIS, 2018).
  • Gayhomem (cis ou trans) que sente atração por homens (REIS, 2018).
  • Bissexualsente atração por pessoas de mais de um gênero (REIS, 2018).
  • Pansexualsente atração por pessoas independentemente da identidade de gênero ou do corpo delas. “Pan” vem do grego e quer dizer “tudo” (REIS, 2018).
  • Assexualnão sente atração sexual por outras pessoas (REIS, 2018). Atração sexual e atração romântica são coisas diferentes, então uma pessoa assexual pode, sim, se apaixonar e ter relacionamentos (KILLERMANN, 2017).

Não é preciso ter tido experiências para saber a própria orientação. Assim como uma pessoa hétero sabe que é hétero antes de namorar, o mesmo vale para todas as orientações (REIS, 2018).

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Glossário da sigla LGBTQIAPN+

A sigla reúne diferentes orientações sexuais e identidades de gênero. Cada letra representa um grupo de pessoas.

Toque numa letra para virar a carta.

Ver a sigla em tabela
LetraQuer dizerEm poucas palavras
LLésbicasMulheres que sentem atração por mulheres.
GGaysHomens que sentem atração por homens.
BBissexuaisPessoas que sentem atração por mais de um gênero.
TPessoas trans e travestisPessoas que se identificam com um gênero diferente do que foi registrado ao nascer.
QQueerPessoas que não se encaixam nos rótulos tradicionais de orientação ou de gênero.
IIntersexoPessoas que nascem com um corpo que não se encaixa no padrão típico de “feminino” ou “masculino”.
AAssexuaisPessoas que não sentem atração sexual.
PPansexuaisPessoas que sentem atração independentemente do gênero ou do corpo da outra pessoa.
NNão bináriePessoas que não se reconhecem só como homem ou só como mulher.
+E mais!Todas as outras orientações e identidades que não cabem nas letras.

Você pode ver a sigla escrita de outras formas, como LGBT, LGBTI+ ou LGBTQIA+. Todas falam da mesma população. O símbolo “+” existe justamente para incluir quem não está nomeado nas letras (REIS, 2018).

Os termos mudam com o tempo. A palavra “hermafrodita”, por exemplo, não é mais usada, porque é antiga e ofensiva. O correto é “pessoa intersexo” (REIS, 2018).

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E se eu ainda não souber?

Tudo bem não saber.

Descobrir a própria orientação sexual ou identidade de gênero é um processo, e não uma prova com data marcada. Algumas pessoas percebem cedo, outras só na vida adulta, e outras passam um bom tempo com dúvidas (TEIXEIRA et al., 2012).

Inclusive, existe um nome para quem está nesse momento de dúvida: “questionando”. Em algumas versões da sigla, o Q também representa essas pessoas (REIS, 2018).

Não preciso de um rótulo agora?

Não precisa. Os nomes (lésbica, bi, trans, não binárie...) existem para ajudar as pessoas a se entenderem e encontrarem outras parecidas com elas. Eles não são uma obrigação. Você pode usar um rótulo, nenhum, ou trocar de rótulo se ele deixar de fazer sentido.

Algumas pessoas percebem que seus sentimentos e atrações mudam ao longo da vida, de forma espontânea (DIAMOND, 2008). Isso é diferente de “mudar de propósito” ou de “ser curado”: ninguém consegue mudar a orientação de alguém à força, e tentar fazer isso faz mal (AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION, 2009).

E sobre “se assumir”?

“Sair do armário” não acontece num único dia. É um processo que se repete: a pessoa decide, várias vezes ao longo da vida, se vai contar, para quem e quando (TEIXEIRA et al., 2012).

Algumas coisas importantes:

  1. Você decide se, quando e para quem contar. Não existe hora certa nem obrigação.

  2. Sua segurança vem primeiro. Se você acha que contar pode trazer riscos, como violência ou perder a casa, tudo bem esperar.

  3. Comece por quem você confia. Na pesquisa com adolescentes brasileiros, os primeiros a saber costumavam ser os amigos próximos (TEIXEIRA et al., 2012).

  4. Ninguém tem o direito de contar por você. Revelar a orientação ou identidade de alguém sem permissão se chama outing, e é uma violação da privacidade dessa pessoa (REIS, 2018).

Você não precisa passar por isso sozinho(a). A psicoterapia pode ser um espaço seguro para pensar sobre essas questões, sem pressa e sem julgamento.

Como falar com a Hedum
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Mitos e verdades

Existem muitas ideias erradas sobre gênero e sexualidade. Vamos conversar sobre algumas das mais comuns:

Leia a frase e escolha: mito ou verdade?

Respondidas: {{ mythCount }}

  1. Mito ou verdade? · 1

    “É só uma fase. Vai passar.”

  2. Mito ou verdade? · 2

    “Virou LGBT por causa das amizades / da convivência.”

  3. Mito ou verdade? · 3

    “É trauma de infância” ou “É culpa da criação.”

  4. Mito ou verdade? · 4

    “É doença. Tem cura.”

  5. Mito ou verdade? · 5

    “Pessoas LGBT+ são um perigo para as crianças.”

  6. Mito ou verdade? · 6

    “O preconceito faz mal à saúde mental.”

E o que diz a Psicologia?

A Psicologia brasileira tem uma posição clara:

  • Desde 1999, psicólogas e psicólogos não podem tratar a homossexualidade como doença nem oferecer “tratamento” ou “cura”.
  • Desde 2018, também não podem tratar identidades trans e travestis como doença nem tentar “converter” a identidade de gênero de ninguém.
  • Em 2019, o Supremo Tribunal Federal manteve essas regras valendo em todo o Brasil

O papel da Psicologia não é “consertar” ninguém. É acolher, apoiar e ajudar cada pessoa a viver com dignidade sendo quem ela é.

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Saúde mental e preconceito

Ser LGBT+ não é um problema de saúde mental. Mesmo assim, as pesquisas mostram que pessoas LGBT+ enfrentam mais ansiedade, depressão e sofrimento emocional do que a média da população (MEYER, 2003).

Mas por quê?

O peso do preconceito: o “estresse de minoria”

O sofrimento não vem de ser LGBT+. Ele vem de viver num ambiente hostil, com estigma, preconceito e discriminação (MEYER, 2003).

Esse estresse aparece de várias formas:

De fora para dentro:

piadas, xingamentos, exclusão, violência, ser rejeitado pela família ou perder oportunidades.

De dentro para fora:

o medo constante de ser rejeitado, a necessidade de esconder quem é, e às vezes o preconceito que a própria pessoa acaba aprendendo contra si mesma.

É como carregar uma mochila pesada todos os dias, sem poder colocá-la no chão.

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LGBTfobia

LGBTfobia é o nome dado ao preconceito, ao ódio e à discriminação contra pessoas LGBT+. Ela pode aparecer como lesbofobia, homofobia, bifobia ou transfobia (REIS, 2018).

No Brasil, a violência ainda é muito grave.

O acolhimento protege

Se o preconceito adoece, o acolhimento protege.

  • Família que acolhe faz diferença. Jovens LGBT+ que tiveram mais aceitação da família na adolescência apresentaram, na vida adulta, mais autoestima, mais apoio social e melhor saúde. Eles também tiveram menos depressão, menos uso de drogas e menos pensamentos e tentativas de suicídio (RYAN et al., 2010).

  • Chamar pelo nome certo faz diferença. Entre jovens trans, poder usar o nome escolhido em mais lugares (em casa, na escola, no trabalho, com os amigos) esteve ligado a menos sintomas de depressão e menos pensamentos e comportamentos suicidas (RUSSELL et al., 2018).

  • Apoio social e redes de apoio ajudam a lidar com o estresse do preconceito (MEYER, 2003).

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Um gesto simples, como usar o nome certo ou dizer “eu te amo do jeito que você é”, pode proteger a saúde mental de alguém.

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Direitos conquistados

Nos últimos anos, a população LGBT+ conquistou no Brasil vários direitos importantes. Conhecer esses direitos ajuda a se proteger e a cobrar respeito.

Família e amor

União estável (2011): o STF reconheceu a união de pessoas do mesmo gênero como família, com os mesmos direitos dos casais heterossexuais (MIGALHAS, 2024; SOUZA, 2022).

Casamento civil (2013): os cartórios de todo o país são obrigados a realizar casamentos entre pessoas do mesmo gênero e não podem recusar (MIGALHAS, 2024; SOUZA, 2022).

Adoção: o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não impede que casais do mesmo gênero adotem (SOUZA, 2022).

Licença-maternidade (2024): em casais de duas mulheres, a mãe que não gestou também tem direito a licença (MIGALHAS, 2024).

Nome e identidade

Nome social no SUS (2009): pessoas trans podem ser chamadas pelo nome social nos serviços de saúde (MIGALHAS, 2024).

Nome social no serviço público federal (2016): órgãos federais devem usar o nome social de pessoas travestis e transexuais, como no cartão do SUS e na Receita Federal (SOUZA, 2022).

Mudança de nome e gênero no cartório (2018): pessoas trans podem mudar o nome e o gênero nos documentos direto no cartório, sem precisar de cirurgia, hormônios ou laudo (MIGALHAS, 2024; SOUZA, 2022).

Proteção contra a discriminação

LGBTfobia é crime (2019): o STF decidiu que homofobia e transfobia devem ser punidas como crime de racismo, até que o Congresso aprove uma lei específica (MIGALHAS, 2024; SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, 2023).

Ofensas também são crime (2023): xingar ou ofender alguém por ser LGBT+ pode ser enquadrado como injúria racial (SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, 2023).

Saúde

Doação de sangue (2020): homens gays e bissexuais não podem mais ser impedidos de doar sangue por causa da orientação sexual (MIGALHAS, 2024; SOUZA, 2022).

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Relações saudáveis

Toda pessoa merece viver relações (namoros, casamentos, ficadas) com respeito, carinho e liberdade, seja qual for sua orientação sexual ou identidade de gênero.

Consentimento: só sim é sim

Consentimento é o acordo livre, consciente e informado entre as pessoas para participar de uma relação sexual.

Para valer, o consentimento precisa ser

  • Livre:sem pressão, ameaça ou chantagem.
  • Revogável:dá para mudar de ideia a qualquer momento, mesmo depois de ter dito “sim”, e sem precisar explicar o motivo.
  • Específico:um “sim” para uma coisa não é um “sim” para tudo.
  • Afirmativo:é dito de forma clara e espontânea.

E também é importante saber o que não é consentimento.

  • Silêncio não é consentimento. Não ter dito “não” é diferente de ter dito “sim”.
  • Uma pessoa bêbada, drogada ou desacordada não pode consentir.
  • Insistir até a pessoa ceder não é consentimento.

Ciúme e controle: quando o cuidado vira prisão

Sentir ciúme às vezes é humano. Mas ciúme não é prova de amor, e quando ele vira controle, é sinal de alerta. Querer saber onde a pessoa está o tempo todo, mexer no celular dela ou proibi-la de ver os amigos são formas de violência.

Nas relações LGBT+, a violência também pode aparecer de formas específicas:

  • Ameaçar contar para a família, o trabalho ou a escola que a pessoa é LGBT+ (“se você me deixar, eu conto pra todo mundo”).
  • Recusar o nome ou os pronomes da pessoa trans para humilhá-la ou controlá-la.
  • Afastar a pessoa da comunidade LGBT+ e das suas redes de apoio.
  • Usar o medo do preconceito para que ela não procure ajuda (“ninguém vai acreditar em você”).

O violentômetro

O violentômetro é como uma régua que mostra como a violência costuma começar de forma sutil e ir aumentando.

Toque numa faixa da régua para destacá-la.

A violência não precisa passar por todas as etapas. Basta um desses comportamentos para que algo esteja errado (EL OBSERVADOR, 2025).

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Para famílias e pessoas próximas

Quando alguém conta para a família ou para uma pessoa próxima que é LGBTQIAPN+, esse pode ser um momento muito importante. Às vezes, a pessoa passou muito tempo pensando em como falar, com medo de ser julgada, rejeitada ou de decepcionar quem ama (TEIXEIRA et al., 2012).

Por isso, a maneira como você reage faz diferença. Não é preciso ter todas as respostas ou compreender tudo imediatamente. O mais importante é demonstrar que aquela pessoa continua sendo amada, respeitada e acolhida.

O que fazer quando alguém se abre com você?

Algumas atitudes simples podem fazer muita diferença:

  • Escute com atenção: deixe a pessoa falar no seu tempo, sem interromper ou tirar conclusões.

  • Agradeça pela confiança: compartilhar algo tão pessoal pode exigir coragem. Demonstre que você valoriza essa confiança.

  • Respeite o nome e os pronomes: chamar alguém da forma como deseja ser chamado é uma maneira simples de demonstrar respeito (JESUS, 2012).

  • Evite julgamentos: frases como “isso é só uma fase” ou “você tem certeza?” podem fazer a pessoa sentir que seus sentimentos não são levados a sério.

  • Respeite a privacidade: não conte para outras pessoas sem autorização. Cada um tem o direito de decidir quando e para quem deseja falar sobre sua identidade ou orientação (REIS, 2018).

  • Demonstre que está presente: às vezes, uma frase simples, como “você pode contar comigo”, faz mais diferença do que tentar encontrar as palavras perfeitas.

E se eu não souber como lidar com isso?

É normal ter dúvidas sobre assuntos que você ainda não conhece. O importante é não transformar essas dúvidas em rejeição.

Você pode buscar informações, conversar com profissionais e aprender aos poucos. Mas lembre-se: a pessoa não precisa justificar quem é para merecer respeito.

Também é importante não tentar convencer alguém a mudar sua orientação sexual ou identidade de gênero. As tentativas de modificar a orientação sexual não apresentam evidências confiáveis de eficácia e podem causar danos (AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION, 2009).

Da mesma forma, a Psicologia brasileira não reconhece as identidades trans como doenças e proíbe práticas psicológicas que busquem modificar a identidade de gênero de uma pessoa por meio de intervenções de conversão ou reversão (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, 2018).

Por que o apoio da família é tão importante?

Porque sentir que existe um lugar seguro para ser quem se é faz diferença na saúde mental.

Pesquisas mostram que jovens LGBTQIAPN+ que receberam maior aceitação familiar durante a adolescência apresentaram melhores indicadores de autoestima, apoio social e saúde geral na vida adulta, além de menores níveis de sofrimento emocional (RYAN et al., 2010).

Isso não significa que a família precisa compreender tudo de uma vez. Significa que o respeito e o cuidado não precisam esperar.

E quando a família não acolhe?

Nem todas as pessoas encontram compreensão dentro de casa. Quando isso acontece, o apoio de amigos, professores, profissionais de saúde e outras pessoas de confiança pode ser muito importante.

O preconceito, a discriminação e o medo da rejeição podem gerar sofrimento emocional. Estudos com pessoas lésbicas, gays e bissexuais mostram como essas experiências afetam a saúde mental e destacam a importância do apoio social para enfrentar essas situações (MEYER, 2003).

Construir uma rede de apoio pode ajudar a diminuir o isolamento e fortalecer o sentimento de pertencimento.

A psicoterapia também pode ser um espaço de escuta e acolhimento, tanto para pessoas LGBTQIAPN+ quanto para familiares que desejam compreender melhor essas questões.

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E agora? O que eu faço?

Você chegou até aqui. Se quiser conversar sobre o que leu, sobre você ou sobre alguém que ama, a gente está por perto. Sem pressa e sem julgamento.

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Psicologia é para todos.

Referências

  1. JESUS, Jaqueline Gomes de. Orientações sobre identidade de gênero: conceitos e termos. Brasília: Autor, 2012.
  2. KILLERMANN, Sam. The Genderbread Person v4. [S. l.], 2017. Disponível em: https://www.genderbread.org. Acesso em: 19 out. 2026.
  3. CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução nº 1, de 29 de janeiro de 2018. Estabelece normas de atuação para as psicólogas e os psicólogos em relação às pessoas transexuais e travestis. Brasília: CFP, 2018.
  4. CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DE MINAS GERAIS (CRP-MG). Transgeneridades. Belo Horizonte: CRP-04, [s.d.]. Folder. Disponível em: https://acervodigital.crp04.org.br/wp-content/uploads/tainacan-items/9483/20035/Folder_transgeneralidades.pdf. Acesso em: 19 out. 2026.
  5. CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução nº 1, de 22 de março de 1999. Estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual. Brasília: CFP, 1999.
  6. DEUTSCHE WELLE. Há 30 anos, OMS retirava homossexualidade da lista de doenças. Poder360, Brasília, 17 maio 2020. Disponível em: https://www.poder360.com.br/internacional/ha-30-anos-oms-retirava-homossexualidade-da-lista-de-doencas/. Acesso em: 19 out. 2026.
  7. REIS, Toni (org.). Manual de Comunicação LGBTI+. 2. ed. Curitiba: Aliança Nacional LGBTI/GayLatino, 2018.
  8. DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE ALAGOAS. Diversidade e direitos da população LGBTQIAPN+: Defensoria Pública, garantindo direitos. Maceió: DPE-AL, 2023. Disponível em: https://anadep.org.br/wtksite/cms/conteudo/61079/Cartilha_Direitos_LGBTQIAPN_.pdf. Acesso em: 19 out. 2026.
  9. AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. Report of the American Psychological Association Task Force on Appropriate Therapeutic Responses to Sexual Orientation. Washington, DC: APA, 2009.
  10. DIAMOND, Lisa M. Sexual fluidity: understanding women’s love and desire. Cambridge, MA: Harvard University Press, 2008.
  11. TEIXEIRA, Fernando Silva et al. Homofobia e sexualidade em adolescentes: trajetórias sexuais, riscos e vulnerabilidades. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 32, n. 1, p. 16-33, 2012.
  12. AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. Answers to your questions: for a better understanding of sexual orientation and homosexuality. Washington, DC: APA, 2008. Disponível em: https://www.apa.org/topics/lgbtq/orientation. Acesso em: 21 out. 2026.
  13. CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Transexualidade não é transtorno mental, oficializa OMS. Brasília: CFP, 22 maio 2019. Disponível em: https://site.cfp.org.br/transexualidade-nao-e-transtorno-mental-oficializa-oms/. Acesso em: 19 out. 2026.
  14. PODER360. Cármen Lúcia suspende decisão que liberava a “cura gay”. Poder360, Brasília, 24 abr. 2019. Disponível em: https://www.poder360.com.br/justica/carmen-lucia-barra-acao-que-abria-brecha-para-a-cura-gay/. Acesso em: 21 out. 2026.
  15. BENEVIDES, Bruna G. Dossiê: assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras em 2025. Brasília: Distrito Drag; ANTRA, 2026. Disponível em: https://antrabrasil.org/wp-content/uploads/2026/01/dossie-antra-2026.pdf. Acesso em: 21 out. 2026.
  16. MEYER, Ilan H. Prejudice, social stress, and mental health in lesbian, gay, and bisexual populations: conceptual issues and research evidence. Psychological Bulletin, Washington, DC, v. 129, n. 5, p. 674-697, 2003.
  17. RUSSELL, Stephen T. et al. Chosen name use is linked to reduced depressive symptoms, suicidal ideation, and suicidal behavior among transgender youth. Journal of Adolescent Health, New York, v. 63, n. 4, p. 503-505, 2018.
  18. RYAN, Caitlin et al. Family acceptance in adolescence and the health of LGBT young adults. Journal of Child and Adolescent Psychiatric Nursing, Hoboken, v. 23, n. 4, p. 205-213, 2010.
  19. AGÊNCIA GOV. Saiba como identificar e denunciar violações de direitos humanos contra pessoas LGBTQIA+. Agência Gov, Brasília, 3 ago. 2026. Disponível em: https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202608/saiba-como-identificar-e-denunciar-violacoes-de-direitos-humanos-contra-pessoas-lgbtqia. Acesso em: 28 out. 2026.
  20. MIGALHAS. Conheça os marcos jurídicos dos direitos das pessoas LGBTQIA+. Migalhas, [S. l.], 28 jun. 2024. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/quentes/410209/conheca-os-marcos-juridicos-dos-direitos-das-pessoas-lgbtqia. Acesso em: 28 out. 2026.
  21. SOUZA, Renata. Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+: conheça os direitos garantidos no Brasil. CNN Brasil, São Paulo, 28 jun. 2022. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/dia-internacional-do-orgulho-lgbtqia-conheca-os-direitos-garantidos-no-brasil/. Acesso em: 28 out. 2026.
  22. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. STF equipara ofensas contra pessoas LGBTQIAPN+ a crime de injúria racial. Portal STF, Brasília, 22 ago. 2023. Disponível em: https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-equipara-ofensas-contra-pessoas-lgbtqiapn-a-crime-de-injuria-racial/. Acesso em: 28 out. 2026.
  23. TOKARNIA, Mariana. Dia do Orgulho LGBTQIA+: conheça marcos da luta por direitos no Brasil. Agência Brasil, Brasília, 28 jun. 2026. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-06/dia-do-orgulho-lgbtqia-conheca-marcos-da-luta-por-direitos-no-brasil. Acesso em: 28 out. 2026.
  24. ASSOCIAÇÃO DOS ADVOGADOS DE SÃO PAULO. STJ decide que Lei Maria da Penha é aplicável para mulheres trans. AASP, São Paulo, 7 abr. 2022. Disponível em: https://www.aasp.org.br/?p=28248. Acesso em: 28 out. 2026.
  25. BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher [...]. Brasília: Presidência da República, 2006.
  26. EL OBSERVADOR. El violentómetro, el invento de una mexicana que ayuda a personas de todo el mundo a identificar los signos de violencia. El Observador, Montevidéu, 29 abr. 2025. Disponível em: https://www.elobservador.com.uy/el-violentometro-el-invento-una-mexicana-que-ayuda-personas-todo-el-mundo-identificar-los-signos-violencia-n5996337. Acesso em: 28 out. 2026.
  27. GILLIS, Kaytee. Intimate partner violence in LGBTQ relationships. Psychology Today, [S. l.], 15 out. 2024. Disponível em: https://www.psychologytoday.com/us/blog/invisible-bruises/202409/intimate-partner-violence-in-lgbtq-relationships. Acesso em: 28 out. 2026.
  28. MINISTÉRIO PÚBLICO DE MINAS GERAIS. Breves reflexões sobre violência sexual e consentimento: com foco nas vítimas. Belo Horizonte: MPMG; Casa Lilian, 2025.
  29. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE PERNAMBUCO. Violentômetro. Recife: TJPE, 2019. Cartaz. Adaptação da Secretaria da Mulher do Recife a partir do original do Instituto Politécnico Nacional do México. Disponível em: https://portal.tjpe.jus.br/documents/10180/2469263/CARTAZ_A3_Violento%5Emetro_2019+%281%29.pdf/9a134674-20e4-a82d-1518-8fcfd1c34592. Acesso em: 28 out. 2026.
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